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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Com poesia é mais gostoso




O MEIO
Luiz Tatit

Assim era no princípio
Metáfora pura
Suspensa no ar
Assim era no princípio
Só bocas abertas
Inda balbuciantes querendo cantar

Por isso que sempre no início
A gente não sabe como começar
Começa porque sem começo
Sem esse pedaço não dá pra avançar
Mas fica aquele sentimento
Voltando no tempo faria outro som
Porque depois de um certo ponto
Tirando o começo, até que foi bom

Por isso é melhor ter paciência
Pois todo o começo começa e vai embora
O problema é saber se já foi
Ou se ainda é começo
Porque tem começo que às vezes demora
Que passa um bom tempo
Inda está no começo
Que passa mais tempo
Inda não está na hora
Tem gente que nunca saiu do começo
Mas tem esperança de sair agora

Se todo começo é assim
O melhor do começo é o seu fim
Um dia ainda há de chegar
Em que todos irão conquistar
Um meio pra não começar

Agora depois do começo
Já estou me sentindo bem mais à vontade
Talvez já esteja no meio
Ou começo do meio
Porque bem no meio
Seria a metade

É bom demais estar no meio
O meio é seguro pra gente cantar
Primeiro, acaba o bloqueio
E até o que era feio começa a soar
Depois todo aquele receio
Partindo do meio, podia evitar
Até para as crianças nascerem
Nascendo no meio, não iam chorar

Diria, sem muito rodeio
No princípio era o meio
E o meio era bom
Depois é que veio o verbo
Um pouco mais lerdo
Que tornou tudo bem mais difícil
Criou o real, criou o fictício
Criou o natural, criou o artifício
Criou o final, criou o início
O início que agora deu nisso

Mas tudo tomou seu lugar
Depois do começo passar
E cada qual com seu canto
Por certo ainda vai encontrar
Um meio pra nos alegrar


Bisou e bom começo de semana, ;*

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Com poesia é mais gostoso


Poema lindo do Leminski e que parece que foi escrito para a minha linda árvore, fotografada lindamente pelo Ricardo, meu lindíssimo amigo.

Bisou, ;*

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Perfeito para uma sexta-feira



O trabalho da fotógrafa Mariana Caldas é uma das coisas mais lindas e delicadas que eu vi ultimamente.   

Biscoito finíssimo para você e seus queridos. Curta e divulgue!

Bisou, ;*

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Com poesia é mais gostoso


O Maior Espetáculo da Terra
                          Elisa Lucinda

O pássaro voa sobre o céu aberto,
várias alturas ousadas alçam muitas aves.
Algumas, riscando o mar
brincam de aeroporto e decolam
nas ondas das águas e dos ares.
Mas há asas e voar não é perigo;
É mais que isso,
voar é no corpo do pássaro
uma forma de pensamento.
Poderia citar todos os animais
e seus lugares de existir
e tudo seria admissível
na linha de seu ir e vir.

Mas o homem não.
Sem garantia, se equilibra
no fio do seu pensamento,
sem que tenha asas, voa,
e sem limite da aventura, 
até da natureza caçoa.

Equilibrista,
se apodera dos seus sonhos
e de suas inesperadas iscas
e vai rebolando no bambolê das pistas.
Elabora, passa o mundo em revista,
mas seu conteúdo chora, porque tem medo do risco.
O risco!
Logo o risco, meu Deus,
que é pai de tantas vitórias 
sobre tantos reclames.
Bailarino do arame,
homem que se consome
no erro crasso da mesquinharia,
da mentirosa segurança
de que o mundo é sempre reto
e as coisas, imutáveis, certinhas
e sem alquimias.
Mas diante do susto da mutante verdade,
se equilibra no andaime que construiu 
e que sem sua criativa ousadia, 
jamais existiria.

Trapezista de trapézios inusitados,
nos vemos na mão do destino
como se dele não fossemos também autores.
Senhoras e senhores da jornada
geramos no mundo nossa ninhada
e com ela nosso projeto,
nossa luta,
porém é certo que nos volta com força bruta
o ordinário fato
de não pensarmos no que virá
depois do nosso simples ato.
Poque pertence ao homem a habilidade
de ser sujeito transformador,
de realizar todo dia
o seu show de competência,
engolindo o fogo do orgulho,
se esquivando do atirador de facas,
domando os problemas que rugem,
podando os pelos da Dona Insegurança,
essa mulher barbada.

Mas, respeitável público,
o show não pode parar.
Às vezes dói viver,
às vezes dá preguiça de continuar,
quando nos esquecemos
que somos os construtores
do tal arame onde andamos,
quando nos esquecemos que somos
o motorneiro, o piloto, o barqueiro,
o motorista e o garoto que gira o pião,
que chuta a bola, que mira o gol,
que gira o leme, que conduz o trem,
o diretor e o ator que apresenta este espetáculo.
Poderoso é o homem com seus esclarecimentos
sobre o evento da vida,
poderosa é a vida 
sobre o homem que não a tem esclarecida.

Para o homem basta um dia.
Um dia de coragem.
Um dia de luz.
Uma atitude pode mudar
a qualidade do seu trabalho,
do seu cotidiano
e da sua história.
O seu relógio pode ser o tempo
que não desperdiça glórias,
liberto de auto-piedades,
com faróis que o projetem 
para além das idades,
que o homem arquitete pilares
brindando à realidade vindoura,
que a chuva de aplausos ou vaias
fertilizem novos frutos
seguindo a lógica da lavoura:
o que cresceu?
o que é que eu faço?
o que tenho que molhar sempre?
o que é que eu levo?
o que é que eu passo?
Não disfarço:
O homem é o dono do homem
Deus é cúmplice
no livre arbítrio do picadeiro
desse espaço.

Escolhe o alvo,
o salto e os movimentos
no desprendimento que precisará
para atirar-se nos braços do outro,
na confiança no trapezista ao lado.

Mágico, com surpresas únicas na cartola,
com o suprimento intranferível
de ser original e não simples cópia,
reprodução,
papel carbono de mais um animal,
em um segundo ele muda tudo.
De lenços para pombas,
de pequeno para colossal.

Acrobata,
dono do seu corpo no mundo
Malabarista,
com uma civilização de pratos
nas mãos e nos ares,
esse homem escolhe a fera:
pode levar ética ao circo ou
apodrecer preso,
como um mico, e sem ela.

Contorcionista,
se digladia
entre a angústia,
o medo, 
a depressão,
a paralisia dos quais 
só o seu talento o salvaria 
e o salvará:
Ergue-se então este homem flexível
e não mais adia.
Ao contrário,
se apropria de 
seus reais valores,
suas oportunidades, 
sua criatividade, 
sua alegria.

Aqui está o homem:
ave rara de todos os céus,
soberano sujeito de suas possibilidades,
criança sorridente,
domador de seus passos 
e ao mesmo tempo palhaço
estendendo seus sublimes braços,
tentáculos no universo,
sobre a lona dessa esfera, 
para ser, se quiser,
o maior espetáculo da terra.


Bisou, ;*

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Prosa com poesia é mais gostoso



Como não ter Deus?!  Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve.  Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra.  É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar, é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo.
Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas

Bisou, ;*

terça-feira, 30 de julho de 2013

Sábado com poesia

Eu gosto muito de poesia. Muito demais. 
Para mim, enquanto a prosa é como a trama de um tecido, a poesia é o bordado. 
Não vivo sem o pano básico, mas respeito e aprecio a maestria de um trabalho de agulha.
E tenho a sorte de ter um querido amigo que, além de tudo, é um mestre em bordar palavras, talentoso e sensível. Espia só:




E aí acontece que no próximo sábado ele realizará um recital - O mundo é mais mar que mundo - aqui no Rio e será a oportunidade de matar as saudades e ouvir coisas lindas. 

Bom mesmo é saber que a maré que leva a gente embora, Jacinto, também traz de volta.  Estarei lá.

Bisou, ;*

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Véspera de feriado com poesia é mais gostoso


Aqui nessa pedra, alguém sentou para olhar o mar O mar não 
parou para ser olhado Foi mar pra tudo que é lado
Paulo Leminsky

Bisou, ;*

sábado, 27 de abril de 2013

Com poesia é mais gostoso



2ª Quadra Triste

Para que querer voltar
se o de que se tem saudade
é - não daquele lugar -
daquela felicidade?
                                (Renata Pallottini - Chão de Palavras)

Bisou, ;*

domingo, 7 de abril de 2013

Para o seu domingo

Lake Victoria, Uganda (Top Gear - BBC)

Sujar o pé de areia prá depois lavar na água
Lavar o pé na água prá depois sujar de areia
Esperar o vagalume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Sujar o pé de areia prá depois lavar na água

Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa


Bisou, ;*

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Com poesia é mais gostoso

Gente, que dia lindo está fazendo por aqui!
E para combinar com esta boniteza toda e começar a semana de trabalho com inspiração, nada como a poesia do Fernando:

 

Bisou, ;*

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